A GAZETA DE ALGOL

"O morto do necrotério Guaron ressuscitou! Que medo!"

Ferramentas do usuário

Ferramentas do site


fanworks:fanfictions:fic-020

O impeachment do rei Lassic

Autora: Neilast
Tradutor: Orakio Rob

Um dia antes de Nero ser assassinado, um encontro de emergência do Conselho de Paseo foi convocado. Deveria ser uma reunião muito séria, já que o conselho tinha um assunto muito sério a tratar. E esse assunto era: remover ou não de seu cargo o temido e odiado Rei Lassic.

O Governador Sirus de Motávia, o homem mais poderoso de todo o sistema Algol depois de Lassic, sentou em uma ponta da longa mesa do conselho. Todos os membros do conselho se sentaram juntos na outra ponta. Sirus achou isso estranho, mas não falou nada.

“Muito bem,” Sirus disse batendo três vezes com seu martelo. ” É hora de iniciar a reunião. Como vocês todos sabem, devemos decidir agora se devemos ou não aplicar um impeachment em nosso rei, Rayperd Lassic, por crimes contra o reino e por seus claros ataques aos artigos de nosso governo. Antes de começarmos, alguém gostaria de dizer algo?”

Os membros do conselho permaneceram em silêncio.

Sirus coçou a cabeça. “Ok… Vamos começar, então.” Ele retirou de uma pasta verde uma pilha de papéis que havia trazido. “A primeira questão à qual gostaria de me referir é relativa ao injusto aumento das taxas e da restrição ao comércio. Os Artigos de Governo claramente afirmam que o Conselho de Paseo, o Conselho de Skure e a Assembléia Palmiana devem todas concordar para que sejam sancionados aumentos nas taxas ou mudanças nas leis de comércio. Nós não fomos consultados. Lassic claramente violou os Artigos de Governo nesse caso. Já que seu papel principal é o de manter e defender as leis das Províncias Unidas de Palma, e como falhar nesse sentido, de acordo com os Artigos de Governo, dá base para para a remoção do cargo, eu acho que deveríamos votar pelo impeachment do Rei Lassic.”

Silêncio.

“Bem… o que vocês me dizem?”

Um dos homens do conselho se ergueu. “Eu concordo que isso seja um crime,” ele disse.

Sirus sorriu e balançou a cabeça. “Estou feliz que concorde comigo, membro do conselho. Isso é muito bom. Mas que você concorde é algo evidente, já que os Artigos de Governo claramente estabelecem–”

“No entanto,” o membro do conselho acrescentou, “Eu não acredito que que esse crime baste para removê-lo de seu cargo.”

Sirus piscou. “Oh,” ele disse. “Eu pensei que vocês certamente iriam…” O membro do conselho se sentou e Sirus puxou um envelope preto da pilha. “Eu tenho mais acusações que o consellho deve considerar,” ele disse. “Como todos sabemos, um bando de militantes Dezorianos foram os responsáveis pela morte da rainha Alisa Ossale e pelo desaparecimento do Rei Alex e do príncipe e da princesa. Esse já é um fato conhecido e a teocracia Dezoriana, embora nunca tenha se confessado culpada da acusação, nunca negou, também. No entanto, no verão passado, o Rei Lassic discretamente vendeu um grande estoque de pistolas lasers para os Dezorianos. Nós acreditamos que essas pistolas lasers foram as responsáveis pela morte de numerosos exploradores e colonizadores Palmianos.”

“Você está dizendo que o Rei Lassic é pessoalmente responsável por essas tragédias e por outras que certamente ocorrerão?” perguntou um homem do conselho.

“Bem… sim!” disse Sirus afirmando com a cabeça. “Os Dezorianos já eram perigosos, mas se Lassic não tivesse dado as pistolas lasers a eles, eles não teriam como atirar em nosso povo, ou teriam?”

“Mas Sirus,” disse uma mulher do conselho, “são os Dezorianos que matam as pessoas, não as armas!”

Sirus considerou isso por um momento. “Isso é verdade,” ele disse. “No entanto, obviamente foi irresponsabilidade de Lassic vender armas para os Dezorianos. Concordam?”

Todos os membros do conselho concordaram.

“E estamos de acordo que alguém que faça tais coisas é uma pessoa muito má?”

Os membros do conselho concordaram novamente.

“Muito bem!” Sirus disse, sorrindo. ” Os Artigos de Governo dizem que colocar os cidadãos em perigo intencionalmente acarreta em impeachment!”

“Mas os Artigos dizem o mesmo sobre uma pessoa ser má?” um membro do conselho perguntou.

“Não, mas–”

“Eu não acho que esse crime garanta sua remoção de cargo,” uma mulher do conselho disse.

“Concordo.”

“Concordo.”

“Eu também.”

“Isso.”

Sirus olhou incrédulo para o conselho por um segundo. “O Qu…?”

“Mas concordamos com você, ele é uma pessoa muito má!” disse seriamente um dos homens do conselho.

Sirus se sentou sem saber o que dizer por um momento. Logo em seguida ele puxou uma pasta azul de seus arquivos e disse, “Mas agora devemos considerar isso! No inverno passado, Lassic teve um caso com uma das serviçais do agora difícil de se encontrar Palácio Real. Pela lei, um membro da realeza que tome parte em tal ato deve ser removido. Durante o inquérito, ao ser perguntada se o caso realmente aconteceu, a garota mentiu – a pedido de Lassic. O próprio Lassic foi ouvido sobre o caso e também mentiu.”

Todos os membros do conselho concordaram e demonstraram seu desgosto a respeito do caso.

Sirus hesitou por um momento e disse, “Consta claramente nos Artigos de Governo que mentir diante de uma comissão governamental é um severo crime que acarreta na remoção do cargo de qualquer oficial do governo. E olhem o que diz aqui, em letras grandes, fortes e escuras – O REI NÃO É UMA EXCEÇÃO À ESSA REGRA. Lassic também obstruiu a justiça, manipulou uma testemunha, e negou justiça a todos os envilvidos no caso. Então, obviamente, é nosso dever dar um impeachment em Lassic agora! De acordo?”

“Não entendo o que a vida particular de Lassic tem a ver com o fato dele ser removido,” disse um homem do conselho.

“Eu concordo,” disse uma mulher do conselho. “Claro, ter um caso é errado. Mas isso o torna inadequado para governar?”

“Pode-se argumentar que com isso ele demonstra não apenas falta de caráter, mas também falta de bom-senso,” Sirus disse discretamente. “Com certeza não queremos um governante sem bom-senso. Mas o mais importante, não é o caso dele que estamos discutiundo aqui; é o desvio proposital de Lassic de seu juramento de aderir e defender os Artigos de Governo.”

Os membros do conselho cochicharam entre si. Enfim um deles disse, “Nós concordamos que Lassic é um homem muito mau.”

“Terrível,” disse uma mulher do conselho.

“Crueeeeeel!” disse outro membro do conselho.

“No entanto,” o primeiro deles disse, “não achamos que seu caso sujo e pervertido sirva de base para um impeachment.”

“Eu concordo,” Sirus disse, agarrando-se com mais força a seus papéis. “Mas e quanto a mentir sob juramento?”

“Todos os membros do conselho balançaram a cabeça.

“A vida sexual dele não me interessa.”

“Não me importa onde ele põe o cetro dele!”

“Desde que ele não fume cigarros, tudo bem!”

“É, fumar cigarros é muuuito ruim…”

Sirus levantou-se e gritou, “Vocês estão loucos?”

E um dos membros do conselho se levantou e dssse, “Mas Sirus, nós concordamos que ele é uma pessoa muito má.”

“Terrível!”

“Doentio!”

“Um sociopata!”

“O mais desprezível homem que já viveu!”

Sirus atirou-se em sua cadeira e suspirou. Após um momento ele olhou para cima e disse, “Mas por quê vocês querem que um homem mau governe vocês?”

“Não é isso,” uma mulher do conselho disse. “Só que ele não é mau o suficiente para sofrer um impeachment.”

Esse argumento incompreensível levou Sirus ao silêncio total.

“Sim, não é como se ele tivesse arrasado uma cidade ou algo do gênero.”

“Mas eu ainda não acabei!” Sirus rugiu. Ele tirou da pilha uma pasta vermelha-berrante. Ele a atirou na mesa e gritou, “Lassic ordenou a destruição de toda a cidade de Bortevo. A cidade foi arrasada e 98% de seus residentes foram massacrados a sangue frio. E mais, tem sido amplamente comentado que Lassic ordenou o ataque apenas para distrair a atenção do povo de seus casos pessoais. O que me dizem disto?”

Os membros do conselho ficaram brancos e olharam uns para os outros. O membro que havia mencionado a destruição de uma cidade sussurrou, “Permita-me amenizar o que eu disse…”

Sirus manteve-se perfeitamente imóvel enquanto vapor saía por seus ouvidos. Enquanto isso, uma das mulheres do conselho puxou um envelope rosa e disse, “E agora eu tenho uma pergunta para você , Governador Sirus.”

Sirus se sentou. “Sim?”

A mulher começou a falar. “Eu estava verificando seus arquivos secretos na Agência de Investigação, e–”

“O QUÊ?” Sirus gritou.

“Perdão; eu gaguejei?” a mulher perguntou.

“Como você conseguiu meus arquivos secretos?” Sirus exigiu saber.

“Oh, esse é o arquivo que estava em sua mesa de manhã” um membro do conselho perguntou à mulher.

A mulher confirmou.

“Sim, eu o vi na sua mesa. Tinha o selo real nele, correto?”

“O SELO REAL!?” Sirus perguntou.

“Sim,” a mulher disse calmamente. “Mas estou certa que isso não prova nada… De qualquer forma, diz aqui no seu arquivo que aos sete anos de idade você foi acusado de atravessar a Avenida Ossale sem olhar para o sinal de trânsito. Você pode negar essa acusação?”

“O quê?” Sirus perguntou. “Bem, não, mas–”

Todo o conselho suspirou.

“Acho que isso resolve tudo,” a mulher disse. “Obviamente, você está tentando pôr a culpa em Lassic só para se livrar. Ou talvez você esteja com inveja da ficha limpa de Lassic.”

“Ficha limpa?” Sirus gritou com raiva. “Só está limpa porque qualquer um que tente prendê-lo é morto! Lassic cometeu todos os tipos de crime, desde um leve roubo a assassinato e atrocidades de guerra! E quanto ao genocídio dos Espers?”

“Seja como for, considerando essa nova evidência contra você, é óbvio que você deveria abdicar de seu posto,” disse a mulher. “Você deve no mínimo se retirar de qualquer encontro futuro sobre o impeachment de Lassic.”

Sirus desmaiou.

Um horrível aroma tomou a sala enquanto Dark Force se materializava. Ele tinha cheiro de corrupção e mentira. Os membros do conselho deram uma boa inspirada pois o cheiro era muito agradável para eles.

“Que tal?” a mulher do conselho perguntou a Dark Force.

Dark Force coçou o queixo, afirmando, “Muito bom.” Ele deu tapinhas na cabeça de todos os membros do conselho.

Um cheiro ainda pior preencheu a sala quando o líder dos terráqueos apareceu. Ele cheirava a bebida barata, a mulheres baratas, gordura, banha. Ele trajava um manto.

“Estou tão orgulhoso de você!” disse o líder dos terráqueos enquando dava um forte abraço em Dark Force.

Dark Force escondeu o rosto. “Estou tão constrangido!”

“Não fique constrangido, Darky,” disse o líder dos terráqueos. Ele apertou a bochecha de Dark Force e disse,

“Você é tão bonitinho que não resisto! E eu aaaaamo azul. Você tem irmã?”

Dark Force ficou vermelho. “Obrigado… fiz tudo como você pediu.”

O líder dos terráqueos pôs o braço em volta de Dark Force. “Ande comigo, garoto, e você vai se dar bem. Sei como as pessoas agem e como manipulá-las.” Ele sorriu, mordeu os lábios, chorou e gargalhou, tudo em apenas meio segundo. “Quer dizer, não me chamam de Willy Espertinho à toa!”

Fin… ou não?

fanworks/fanfictions/fic-020.txt · Última modificação: 2009/01/13 11:58 (edição externa)

Ferramentas da página