A GAZETA DE ALGOL

"O morto do necrotério Guaron ressuscitou! Que medo!"

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As trevas de Alis

Autor: Michael Hahn
Tradutor: Orakio Rob

As menores coisas podem mudar o destino de planetas

e transformar uma heroína escolhida em um soldado do demônio.

Nos infinitos futuros possíveis de Algol, o mais aterrorizante de todos…

É aquele no qual nada acontece…


O nome da garotinha era Alis, e ela vivia na cidade grande, e tinha um irmão chamado Nero que ela amava muito. Ele a contava histórias sobre outros mundos, de fogo e gelo, e ela ouvia e desejava de coração poder viajar para lugares distantes. Ela olhava a espada de seu irmão e pedia que ele a ensinasse a lutar. Ele ria e dizia que ela jamais precisaria aprender.

Ele contava a ela histórias sobre o grande rei que vivia em em uma outra cidade, muito distante. Seu nome era Lassic, e quando Nero falava dele falava bem, mas sempre parecia um pouco preocupado. A garotinha perguntava a seu irmão se havia algo de errado, e ele dizia ainda não.

O nome da garota era Alis e ela sentiu falta de seu irmão quando este se tornou um soldado. Ele voltava sempre que podia, mas as coisas não eram mais as mesmas de como ela se lembrava. Seu irmão tinha um olhar assustado às vezes. Uma vez ele perguntou se a garota ainda se lembrava de ter desejado aprender a lutar. Nero ensinou à sua irmã como usar uma espada. Ela se lembrava de sua infância e de seu irmão dizendo que ela jamais precisaria aprender a lutar. Ela nunca disse uma palavra. As coisas estavam mudando.

Os estranhos homens apareceram na cidade. Robotcops, como Nero os chamava, e disse que eles eram homens de Lassic, observando a cidade. A garota achava que ele não gostava muito deles, então ela decidiu que não gostava muito deles também. Quando Nero falava sobre Lassic agora, ele não falava bem.

A jovem mulher chamava-se Alis, e ela ficou chocada ao ver seu irmão morrendo em meio a uma multidão de pessoas assustadas, derrubado por Robotcops que agora eram parte da vida. Eles o disseram para não especular em torno dos assuntos de Lassic. A jovem mulher não sabia o que seu irmão andava fazendo. Ele não falava bem a respeito de Lassic, mas era um de seus soldados. Por quê seu irmão interferiu nos negócios de Lassic?

A jovem mulher tentou atravessar a multidão. Parecia que seu irmão queria falar com ela. Mas quando ela chegou a seu lado, ele já estava morto. Uma estranha sensação a atingiu. Não era pesar, ainda que ela chorasse como jamais chorou antes. Ela não podia explicar esse outro sentimento, esse arrepio súbito e a sensação de que uma brisa passava por ela. Ela sentiria isso novamente.

Você o matou? ela perguntou aos robôs à sua volta. Lassic o matou? Quem matou meu irmão? Ele era um traidor, disseram a mulher. Ele traiu Lassic e seu povo,planejou matar nosso rei, e por esse crime teve de morrer. Voce é uma traidora? Não, ela disse com tristeza. Não sou uma traidora. Mas ela sabia que seu irmão era. Ela havia sentido essa mudança na atitude dele há muito tempo. Mas ela jamais poderia acreditar que ele tentaria matar o rei. Ele tentou dizer algo a ela antes de morrer. O que ele havia teria sido? Um pedido de desculpas? Um desejo de se redimir? Ela sentiu vergonha pela traição de seu irmão, e se perguntou o que havia dado errado.

O nome da mulher era Alis e ela se tornou um soldado também, contrariando o desejo de sua mãe. Ela teve de novo aquela sensação no dia em que se alistou no serviço a Lassic. Por um momento ela se perguntou se o que fazia era correto, mas ela se lembrou do quanto amava seu irmão, e do quanto queria reparar os erros que ele cometeu.

A vida de soldado era dura, mas não difícil. A mulher treinou nas florestas de Palma. Ela viu a estátua de um homem alto em uma caverna e aprendeu a história da letal Medusa. Ela lutou contra a Medusa e clamou sua cabeça como prêmio, apesar da mesma ter transformado todos à sua volta em pedra. Seus amigos a elogiavam, mas ela não ouvia nada vindo do palácio, apenas ordens de que ela deveria partir. A mulher realizou seus sonhos de viajar quando foi mandada para Motávia para defender os colonizadores do ataque das criaturas motavianas. Ela sentia prazer em estar nas linhas de frente da expansão palmiana. Ela ouviu que aqueles que se destacassem em Motávia seriam enviados a Dezóris. Ela esperava que Lassic a notasse.

Apenas uma coisa nos anos que passou em Motávia despertou novamente nela aquela sensação estranha. Uma vez ela entrou em uma loja em Paseo e viu um animal único à venda. Ela não era do tipo que tinha animaizinhos, mas havia algo neste animal que parecia um gato com seus olhos quase palmianos. Ela sentiu aquele vento soprar entre seus cabelos e lembrou-se novamente do dia em que seu irmão morreu. Ela devia se esforçar mais.

Motávia finalmente foi domada, e a mulher percebeu que não estava satisfeita ainda. Tinha que haver mais a fazer. Ela olhava nos olhos cansados de seus amigos e percebia que eles estavam cansados de lutar, achando que seu rei pedia demais a eles. Eles eram tolos em se oporem ao rei. Ela se perguntou se deveria denunciá-los. A mulher olhou bem nos olhos de um traidor de cabelos azuis, que tentou defender as criaturas motavianas com seu poder. Ela o ouviu clamando por suas vidas, mas Lassic não tinha piedade de traidores, e ela também não poderia ter. Ela mesma o executou. Mas não ouviu nenhuma palavra de seus superiores, nem agradecimentos, nem congratulações, nehum comentário de que tudo havia sido perdoado. Ela devia prosseguir.

O nome da mulher era Alis e ela foi a Dezóris quando Motávia foi pacificada. Haviam pessoas em Dezóris! Não como os palmianos, mas pessoas! Entretanto, elas se recusavam a aceitar o domínio de Lassic, e foram mortas. Isso não parecia certo para a mulher, que se lembrava do homem em Motávia cujas palavras eventualmente ecoavam em sua cabeça enquanto ela liderava mais um ataque, mas se havia uma coisa que ela havia aprendido em seus anos de serviço era a nunca questionar ordens. Pessoas que discordavam das ordens de Lassic tendiam a morrer inesperadamente. Ela lutou nas infinitas planícies de gelo, e lutou nas minas subterrâneas de laconia. Ela foi até as minas para impedir um vazamento de gás que poderia ter matado centenas de famílias. Ela tinha boa reputação em Dezóris, um brava mulher que nunca fugia de uma batalha, não importavam suas chances. Novas cidades requisitavam a equipe da mulher para defendê-las.

Ela esperava receber um governo em Dezóris por seus excepcionais serviços, mas o cargo foi oferecido a outro, um amigo dela que servia na mesma equipe. Ela jamais viu seu amigo novamente. A mulher estava confusa por jamais em todos esses anos ter visto a face do rei de Algol. O homem a quem ela servia nunca chamou-a à sua presença, apesar de ela ser a heroína de dois mundos.

O nome da velha mulher era Alis, e ela olhou para sua vida sem nada além de amargura e arrependimento. Ela viveu o suficiente para ver os três mundos de Algol serem unificados sob o governo de Lassic, e ela viveu o suficiente para enfim ver sua face, quando seu novo reino de terror começou. Ela foi chamada à sala do trono, onde ele riu dela, sua mais leal serva, e disse que ela teria sido o único possivel espinho em seu caminho.

Então a forma do velho homem foi posta de lado como um dos uniformes da velha mulher, e diante dela estava uma besta vinda diretamente de seus mais profundos pesadelos, de um cor tão purpura que quase chegava a ser negra, com olhos vermelhos brilhantes e uma boca cheia de presas. Foi a esse ser negro que ela serviu por toda a sua vida, sem jamais perceber que ela havia sido destinada a matá-lo.

Lassic gargalhava e gargalhava, com uma voz terrível que parecia ressonar na cabeça da mulher. Enquanto ele falava ela ainda ouvia sua gargalhada, como um terrível cântico demoníaco. Às vezes parecia até mesmo uma versão distorcida de sua própria gargalhada. Ela percebeu que não se lembrava da última vez em que havia gargalhado, ou ao menos sorrido. Esse rei das trevas temia apenas duas coisas; a mulher, e lacônia. Entretanto a mulher o serviu, e trouxe toda a lacônia existente no sistema para ele. Ele era realmente imortal agora, sem que houvesse poder sob o sol de Algol capaz de causar mal a ele, e sua recompensa à sua tenente era deixá-la viver, quando todos os amigos à sua volta morriam.

A velha mulher se perguntou onde as coisas haviam começado a dar errado em sua vida. Por que ela não percebeu que o rei de Algol era um tirano e um monstro além da imaginação? Mas ela lutou e matou em serviço a ele, e expandiu seu reino por todo o sistema. Não havia nada que ela pudesse fazer agora. Era tarde demais para tudo. Ela sentia saudades de seu irmão.

O nome da mulher morta era Alis, e enquanto eles a enterravam ela era invejada. Ela era uma mulher de sorte, que ia agora para um lugar onde Lassic não reinava, um lugar quase impossível de se imaginar. Em três mundos, pessoas viviam e morriam a seu comando, e o mais terrível fardo era a vida em si, porque em Algol, a vida era feita de uma dor e de um terror infinitos.

Eram mundos de trevas, agora, os planetas de Algol, e quando um novo planeta subitamente apareceu nos céus, hordas de escravos descerebrados lançaram-se contra suas defesas cristalinas até que estas fossem destruídas, partidas em pedaços pela glória de Lassic, e o ultimo raio de esperança foi apagado para sempre pelas trevas além do abismo.

O nome da mulher morta era Alis, e até o dia de sua morte ela se revoltou com seu destino e se perguntou onde tudo havia dado tão errado. Em que momento ela se desviou de seu destino e condenou o povo de Algol? A última coisa em seus ouvidos era o mesmo som que todos os palmianos ouviam por toda sua vida, a selvagem, aguda gargalhada de seu mestre demoníaco, que gargalhava ainda mais por saber a resposta; que as últimas palavras de um irmão poderiam ter mudado tudo.

Texto original: http://www.phantasy-star.net/fanfics/hahn/darkalis.html

fanworks/fanfictions/fic-008.txt · Última modificação: 2009/01/13 11:58 (edição externa)

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