A GAZETA DE ALGOL

"O morto do necrotério Guaron ressuscitou! Que medo!"

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fanworks:fanfictions:fic-032

As pessoas apenas repetem as mesmas coisas

Autor: Kal Banga

Nota do autor: Para maiores de 18, sim? Obrigado!

As pessoas apenas repetem as mesmas coisas.

Aperta, puxa, coloca, passa.

Uma linha de montagens. Parmanianos trabalhando, máquinas trabalhando. Máquinas de carne operando máquinas de metal.

Aperta, puxa, coloca, passa.

As pessoas repetem as mesmas coisas, trabalhe e será recompensado. O rei Lashiec só quer o nosso bem.

Aperta, puxa, coloca, passa.

As pessoas fogem do campo, os monstros dominam o campo. As pessoas dominam a cidade. As pessoas dominam as outras. As pessoas são monstros.

Aperta, puxa, coloca, passa.

Trabalho manual, trabalho braçal, trabalho sexual é tudo igual. Aperta o parafuso, a picareta, o membro, puxa a embalagem, o carvão, o sêmen, coloca na esteira, carrinho, vagina, passa o produto, a carga, a próxima pessoa. É tudo igual, tudo humilhação. Pelo menos aqui. Pelo menos hoje. Pelo menos agora.

Aperta, puxa, coloca, passa.

Vivemos a ditadura do bem, do grande rei protetor. Palmas, palmas a Lashiec pela morte daquela criança, que fugiu do orfanato quebrando todas as regras. Morte para a criança, que não suportava trabalho forçado, manual e braçal e que não agüentava o abuso sexual. A insanidade é louvada, como uma barata morta levada por formigas famintas e sorridentes.

Aperta, puxa, coloca, passa.

Chega.

Aperto o capacete do robô que diz eu não podia passar. Estraçalho com as minhas mãos fortes. Tome o seu passe seu desgraçado! Os outros gritam que eu devo ficar aqui se não quiser morrer e tentam me acertar com seus rifles lasers. Mas meu machado de cerâmica resiste bravamente aos feixes.

Puxo um deles e o arremesso contra os outros. A parede foi destruída por um golpe vigoroso de machado. Trabalho manual, trabalho braçal, trabalho sexual é tudo igual. Nunca mais. Não para mim, pelo menos. A carne queima, um dos lasers queima minha pele. Não me preocupo, meu ponto mais forte é o meu físico.

Coloco o cartão falsificado no elevador que leva para fora de Camineet. Robôs, monstros, humanos são todos iguais e todos se odeiam no fundo de suas almas por acharem ser diferentes. Nero, onde está você? Pequena Alis, espero que esteja bem. Irmão Odin, oro para que Scion não vire a casa de praia de Lashiec. Seja forte, lute até o fim.

Passo a mão em minha barriga. Ferimento grave. O sangue escorre como as areias do tempo que me restava. Consegui, escapei, estou livre. Estou morto. Não, ainda não. Eu tenho um irmão para cuidar. Não posso morrer aqui, eu tenho meus sonhos… Eu quero salvar este mundo… Eu não posso deixa-lo nas mãos dele. Minha determinação era mais forte que minha saúde. A figura do rei não me abate, mesmo ela estando diante de mim.

— Juro que nunca vi tamanha resistência… - Diz o rei do mal, Lashiec.

— O senhor está palido rei. Nem parece vivo.

— É verdade, a vida é pouco para mim. Tenho a benção da força negra comigo e nada pode me deter!

— Força Negra… O rei que eu conheci… Ele protegia o povo e devotou sua vida para se tornar um forte feiticeiro…

— Esse rei está morto. Hoje eu estou renovado! Sou maior e mais forte! A força negra virá e nada poderá impedi-la! Nada!

— Então… Por que o senhor se importa tanto com isso? Eu sei, agora eu entendo. Você lutou contra a força negra, não foi?

— …

— Que bom saber que… Que… O antigo rei que escondeu a princesa Alis para protegê-la está vivo. Que tentou impedir a força negra antes que ela chegasse ainda existe. Eu servi o senhor antes de abandonar o exercito…

— Você está e…

— Errado? Todos somos seres inteligentes. Robôs, monstros, parmanianos, motavianos, dezorianos. Eu, Fenrir, antigo capitão da força de guardia, vou liberta-lo meu senhor!

Erguendo o machado com alta velocidade, o imenso guerreiro de cabelos loiros longos e olhos muito azuis corta o ar, destruindo o colar negro de Lashiec, que reage acertando um raio de de seu cajado no ferimento de Fenrir.

— Adeus, Fenrir. Morra pateticamente com sua lealdade!

— Entendido senhor - e bate uma continência - minha lealdade realmente vale a… a… - e caí no chão.

— Senhor, vamos cancelar o ataque a Scion? Mas iriamos fazer muitas vitimas por lá! Existe a chance de um Protetor ainda estar vivo e…

— CALE-SE! Você ousa me desobedecer, verme? - E queima o desgraçado com seu cajado…

— Mas senhor…

— Não tem por que se preocupar. Se realmente existir um protetor por lá, que venha! Eu irei destroça-lo com minha magia! Pode vir, venha com toda força e será derrotado!

— Sim senhor! Vou me retirar senhor!

— Venha… - o soldado se afasta - Venha e acabe comigo de uma vez…

Um rei é sempre um rei.

A força negra pode corromper o corpo e o coração.

Mas um rei é sempre um rei.

Sempre.

fanworks/fanfictions/fic-032.txt · Última modificação: 2009/01/13 11:58 (edição externa)

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