A GAZETA DE ALGOL

"O morto do necrotério Guaron ressuscitou! Que medo!"

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A estrada da ressureição

Autora: Christine Carpenter
Tradutor: orakio@gazetadealgol.com.brOrakio Rob

“Irmã, já é hora de você saber a verdade. Apesar de Orakio e eu termos lutado por tantos anos, nós finalmente percebemos que fomos enganados. Uma força demoníaca de tempos anteriores às lendas está usando-nos para satisfazer seus desejos de dor e sofrimento. Nós estamos unindo forças para enfrentar esse antigo demônio. Caso nós não retornemos, eu lhe deixo este pendente. Você ouvirá isso quando estiver pronta. Adeus.”

Laya suspirou e pôs o pendente de sua irmã em volta do pescoço, e voltou-se a seus pertences no saco. 7 trimates e três moon dews. Ëspero que seja o suficiente… mas não sei de que servirá um moon dew se eu sofrer um ferimento crítico e não puder usá-lo em mim mesma.” Ela pensou por um breve momento em se esgueirar até o quarto de um dos outros para repôr o item… mas não queria correr o risco de acordá-los. Ela esperava estar em Terminus bem antes que eles percebessem que ela havia partido. Laya levantou-se e pegou o Arco Nei carregado de poder de sua irmã, e o pôs nas costas antes de pôr sua fina capa. “Fiblira pode proteger de monstros, mas não adianta muito contra o frio.” Ela murmurrou. Ela então saiu em silêncio do quarto da hospedaria de Mystoke e rumou noite adentro.

Laya caminhou até os portões do Castelo Mystoke. Ele parecia ainda mais sombrio e assustador à noite. Mas ele já havia sido um lindo palácio, tão grandioso quanto a Mansão Esper, e ela corria por seus corredores brilhantes sem se preocupar com nada. Mas então veio a guerra, e o palácio se tornou um labirinto, com a finalidade de manter a salvo os Espers e confundir o inimigo caso ele ultrapassasse os muros do castelo. Ele deveria ser a jóia de Alisa III. Um testamento a glória que já pertenceu a Palma. Mas sua glória nunca se concretizou, e agora ele servia apenas de abrigo às almas daqueles que ela havia conhecido e amado. Ela se ajoelhou diante de seus portões enferrujados, e segurou o pendente em seu pescoço.

“Eu juro a você, Laya,” ela disse, “eu prometo terminar o que você começou há muito tempo atrás. Vou realizar o seu dever sozinha, e providenciarei para que seu nome e seu legado vivam para sempre nos corações de todos, e eu contarei histórias sobre como tudo aconteceu, e mostrarei ao povo de Alisa III sua verdadeira herança, para que a glória de nossa amada terra renasça.”

“É uma tarefa e tanto, princesa. Uma tarefa que você não deveria assumir sozinha.”

Laya olhou para trás e viu Wren diante dela.

“Você me seguiu!” Ela se ergueu com rapidez. “Não perca tempo tentando me impedir, Wren. Essa luta não é sua. É meu dever impedir Dark Force e Rulakir.” Wren sorriu.

“O dever não é só seu, Laya. É nosso. Sua irmão não queria que você lutasse sozinha. Ela e Orakio não puderam destruí-lo, apenas aprisioná-lo. Eles sabiam que ele era forte demais naquela época. Ele se enfraqueceu com esses 1000 anos de paz, mas ainda é forte demais para você sozinha. Voce estará morta antes de atravessar os portões de Lashute, se você achar algum meio de chegar até lá.”

Laya ficou em silêncio por alguns minutos, olhando para o chão. Então ela olhou para ele. “Quantos anos você tem, Wren?”

“Eu… Humm… a pergunta o pegou de surpresa. “Tenho uns 1068 anos, aproximadamente, eu acho… Não tenho certeza…”

“1042 anos. Eu nasci em um planeta que não existe há mais de um milênio. Incontáveis gerações foram e vieram. Eu olho para os céus, e as estrelas são completamente diferentes daquelas de que me lembro. Todos os que eu conhecia, que eu amava, estão mortos. 1042 anos… e na verdade eu vivi apenas 21 deles. Eu pareço uma garota, mas minha alma é tão velha quanto a sua. Eu o invejo, Wren. Enquanto eu dormia, você viveu sua vida. Você viu o mundo mudar, viu seus amigos, cuidou de crianças e aproveitou ao máximo sua vida. Você pode ir para a batalha amanhã, e se você não sobreviver, ao menos deixou sua marca. A partir do momento em que pisei na câmara de criogenia, eu passei a caminhar na estrada dos mortos.” Ela não chorou, mas seus olhos entregavam uma angústia e uma dor que Wren jamais havia visto. “Só o que eu sei é como ser um mártir. Minha vida existiu apenas para Laya até agora. Eu abri mão de meu nome, de minhas chances de ter uma vida normal para completar sua missão. Eu… Eu abri mão de Nial por ela.” Só após dizer isso é que as lágrimas vieram. “Seu eu pudesse atrasar o relógio para a época em que Laya me pediu para fazer isso por ela… Eu teria recusado, e não pensaria duas vezes sobre minha decisão. Ter dito sim é apenas o primeiro de muitos, muitos arrependimentos na minha vida de araque.”

“Laya…” Wren sentiu-se como se tivesse levado um soco no estômago. Muitos sacrifícios foram exigidos dele e de Mieu em prol de Orakio, mas o preço foi pequeno em comparação ao pago por Laya para salvar a todos. O irritou que alguém pudesse jogar tamanho fardo sobre seu próprio sangue. “Eu… não sabia.”

“Ninguém sabe. Lune foi posto em animação suspensa também… mas seu único propósito não era o de pôr fim à guerra, mas o de me despertar quando a hora chegasse, para que pudéssemos confrontar Dark Force. Mas os sistemas que monitoravam ele e Alair falharam, e eles acordaram 23 anos antes… E quando Alair foi ao meu encontro, ela foi capturada, e isso começou a guerra novamente. Eu não sabia, até que você, Mieu e Nial chegassem, que Orakio os havia enviado com a mesma missão.”

“Mas…eu estou confuso. Por quê você diz que abriu mão de Nial? Eu pensei que você não o amava? Você não pareceu se importar quando eu a trouxe de volta a Arídia depois dele anunciar seu noivado.”

“Você está tão enganado… Eu o amei. Mais do que jamais amei qualquer pessoa em toda a minha vida. Ele era tão gentil e dócil… e tinha uma alma tão pacífica. Ele odiava lutar tanto quanto eu, mas ele me ajudou a reajustar-me ao novo mundo, e me mostrou que eu ainda tinha uma chance de viver, que não deveria ser uma escrava de minha missão. Mas durante nossa estadia em Dahlia… Eu pude ver que ele teria melhores oportunidades, uma vida melhor com Alair do que comigo. Eles estavam se aproximando, e eu sabia que se me casasse com ele, não poderia cumprir o dever de minha irmã quando a hora chegasse. Então eu retornei ao templo para que pudesse dormir e esquecer meu breve gosto de liberdade e vida… e esquecer dele. E eu consegui… mas Aron despertou novamente esses sentimentos em mim. Eu… Eu não me importo se eu morrer… mas não posso aceitar que Aron se arrisque desse jeito. Ele já fez tanto. Essa missão não é dele…” A voz de Laya falhou, enquanto ela tentava reter as lágrimas. “Não é…”

Wren caminhou até Laya e pôs a mão em seu ombro. “É a missão dele, Laya. Se tornou a missão dele no momento em que ele pôs os olhos em você . Eu lamento que você tenha que ter desistido de tanta coisa, e que tanto tenha sido negado a você. Todos nós tivemos que fazer sacrifícios para chegarmos até aqui hoje. Mas nós tivemos que fazê-los, pelo bem de Alisa III. Amanhã, nós encontraremos Rulakir e Dark Force, e venceremos! Você terá sua chance de começar sua vida e vivê-la da forma que desejar, da forma que deveria ter vivido.”

Laya enxugou uma lágrima. “Não sei… depois de viver tanto pelos outros…”

“Então pare!”

“O quê?” Laya estava chocada.

“Não lute amanhã porque você sente que tem que lutar. Lute porque você quer. Lute por sua vida, por seu futuro! Você quer a chance de viver, então viva! Pare de bancar o mártir! Do contrário, Dark Force já terá triunfado, e a destruição de sua família estará completa, e você realmente terá desperdiçado sua vida. O que vai ser? A estrada da ressurreição, ou a estrada da morte?”

Laya olhou para Wren chocada, sem acreditar no que ouvia. Nunca alguém disse algo desse tipo para ela! Desistir de sua missão? Não lutar por sua irmã, mas por ela mesma? Jogar fora mais de mil anos de desapontamento e angústia. “Eu… Eu não posso fazer isso! É meu dever!” Sua voz clamava.

Wren suspirou e lançou-a um olhar triste. “Então isso é tudo o que você terá.” Ele então se virou e começou a retornar à hospedaria. Laya ficou em silêncio por um longo tempo, então se virou e contemplou o Castelo Mystoke. Ela ouviu a menssagem do pendente mais uma vez.

“Irmã, já é hora de você saber a verdade. Apesar de Orakio e eu termos lutado por tantos anos, nós finalmente percebemos que fomos enganados. Uma força demoníaca de tempos anteriores às lendas está usando-nos para satisfazer seus desejos de dor e sofrimento. Nós estamos unindo forças para enfrentar esse antigo demônio. Caso nós não retornemos, eu lhe deixo este pendente. Você ouvirá isso quando estiver pronta. Adeus.”

“Uma chance de viver… a chance de uma vida com Aron. A chance de ver meus filhos crescerem e viverem.” Ela apertou o pendente contra seu peito. “Era isso o que você realmente desejava a mim, irmã? Que eu não me entregasse aos mortos de eras passadas, mas que preservasse a vida daqueles que estão por vir, e a minha própria vida? Que eu encontrasse um novo futuro ao invés de tentar voltar ao passado?” Silêncio… mas então ela ouviu uma voz. Era tão fraca que a princípio ela julgou ser apenas o vento. “Sim”

Os olhos de Laya arregalaram-se por um momento, e então fecharam-se, suspirando de alívio. Ela beijou o pendente. “Obrigada irmã. Você estava certa, eu é que ainda não havia compreendido, até agora.” Ela então se virou e correu de volta à hospedaria enquanto os primeiros raios de luz brilhavam sobre o domo, assinalando um novo dia.

Nota da autora: Essa história é uma versão melhorada de uma que escrevi há 7 anos atrás. Eu melhorei o diálogo, e acrescentei referências à canção de Paula Cole “Road to Dead.” Essa música realmente se encaixa na visão que tenho da personagem de Laya.

Texto original: http://www.phantasy-star.net/fanfics/carpenter/road.html

fanworks/fanfictions/fic-013.txt · Última modificação: 2009/01/13 11:58 (edição externa)

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