A GAZETA DE ALGOL

"O morto do necrotério Guaron ressuscitou! Que medo!"

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Um modo de dizer obrigado

Autor: Olfer Bragdale

Está tudo acabado, e agora ele caminha em minha direção, com um ar preocupado. Acho que não saberia dizer se estou mais agradecida, furiosa, ou fascinada. Agradecida sim, pois ele salvou minha vida, com certeza; furiosa, pois não pedi ajuda (apesar de, sei bem, estar precisando)! e fascinada, pois creio que nunca havia visto alguém tão habilidoso com uma espada, superando até a idéia que fazia dos grandes nomes entre os Hunters de Motavia, em toda minha vida. Claro, isso não é muito. Tenho apenas doze anos.

É um homem extraordinário. Muito forte, e bonito, com seu cabelo louro a cair levemente sobre a testa, cobrindo parcialmente uma faixa vermelha, que parece velha de tanto uso. E há bondade em seus grandes olhos verdes. Não sei, mas creio que deve ter algo como trinta e cinco ou quarenta anos. Com certeza é um Hunter… do contrário, não estaria por aí vestindo uma armadura e carregando uma espada.

Ele não está sozinho. Há uma garota estranha com ele. Linda, é verdade, com um belo cabelo avermelhado mas, possui algo como enormes orelhas pontudas… Acredito que deve ser como sua parceira, pois ela também se mostra fabulosa em sua armadura negra, e demonstra incríveis habilidades de combate com aquelas garras. Por Algo! Eles derrotaram os seis fanbites em poucos minutos!

“Ei, garota?!” disse ele quando se encontrava a pouco mais de dez metros de mim. “O que você está fazendo andando por aqui sozinha?!


Eu nasci em Zema, a leste de Aiedo, aqui, no planeta Motavia, no ano de AW 2293. Lembro-me bem que, durante minha infância, minha mãe sempre me botava na cama e contava histórias para eu dormir. Histórias de aventuras, sobre os Hunters, e suas missões. E eu adorava cada palavra. Ficava brincando com minha imaginação até cair no sono.

De todas as histórias, penso que suas favoritas eram aquelas sobre meu pai. Ela adorava dizer o quanto ele foi corajoso e bom. Ela o amara muito. Penso que teve muita sorte em conhecê-lo. Eu não tive. Ele morreu poucos dias antes de meu nascimento. Apesar de sempre ficar triste, esta é a história que minha mãe mais gostava de contar, pois foi para protegê-la (e a mim, pois mamãe estava grávida), que ele morreu. Durante uma viagem, eles foram atacados por biomonstros e, enquanto todos fugiam, meu pai ficou, enfrentou-os e garantiu a fuga do resto da caravana. Ele venceu a batalha, mas ficou seriamente ferido, e morreu logo depois. Pena não haver ninguém capaz de usar técnicas de cura no grupo, ele não resistiu até o fim da viagem… Na verdade, não sei quanto tempo eles ficaram juntos. Mas minha mãe dizia que nunca se casaria de novo.

Bem, após a morte de meu pai, minha mãe mudou-se comigo para Piata, onde me criou sozinha durante minha infância. Tenho muitas boas memórias daquele tempo, por isso acho que ela estava fazendo um bom trabalho. Fomos muito felizes, até que ela adoeceu, e logo veio a morrer. Eu tinha nove anos e, agora, estava sozinha no mundo.

Pelas ordens do governo de Motavia, eu deveria ser entregue a uma família adotiva. Fugi. Não queria viver com estranhos. Mas era uma menina de nove anos, e logo os guardas me encontraram. Foi melhor assim. Com certeza não teria resistido mais que dois dias nos desertos de Motavia. Como eu disse, eles me enviaram a uma família adotiva, para que cuidassem de mim. Um casal muito simpático, e foram muito bons comigo. Não tinham filhos, por isso entraram no programa de adoção. Após os primeiros meses, passei a gostar deles. Não posso dizer que fui infeliz durante os três anos em que vivi como sua filha. Um dia (na verdade apenas três dias atrás), eles decidiram fazer uma viagem até Aiedo, para visitar alguns amigos. Foi tudo muito tranqüilo no início, atravessamos a ponte após algumas semanas de estrada, e passamos uma noite alegre em Nalya. No dia seguinte, deixamos a pequena cidade para continuarmos nosso caminho. E fomos atacados… por dois Scorpirus. Eles, meus pais adotivos, nada tinham de guerreiros; e nada poderiam fazer além de correr. Anna foi destroçada antes que pudéssemos dar dez passos. Nunca esquecerei. Dahn me ergueu em seus braços e pôs-se a correr. Mas suas duas pernas não eram mais rápidas que as dez patas do monstro, e este o agarrou pelo pé, derrubando-o.

“Corra!” Ele gritou para mim após sua queda. “Você pode, querida, corra!!”

E eu corri. Corri tão rápido quanto minhas pequenas pernas permitiam. Estava apavorada, e estava chorando. Quando virei o rosto, vi Dahn. Um dos Scorpirus mordia furiosamente sua perna, o outro tentava avançar atrás de mim. Tentava! Dahn, contendo sua dor, agarrou a perna traseira da criatura após sua passagem! Não podia, ele, agüentar muito, claro. O primeiro monstro puxava-o pela perna, mas ele não soltou o outro. Não até que ele o rasgaram ao meio.

Ele me salvou. Tive exatamente o tempo necessário para fugir e me meter em uma pequena caverna, onde os Scorpirus não podiam me alcançar. Então eu chorei. Chorei por horas, até adormecer de exaustão.

Quando acordei, comecei a vagar pelo deserto, faminta. Não sabia que direção tomar, mas sabia para onde queria ir: Aiedo! Para o Hunter´s Guild. Eu queria ser uma Hunter! E acabaria com todos aqueles malditos biomonstros, em memória de Anna, Dhan… e meu pai, que foram vítimas destes.


“Garota? Estou perguntando o que faz aqui!?”

Bem, é isso. Ele agora está bem diante de mim. Ele e sua parceira.

“Onde está sua família?” perguntou a garota de longas orelhas.

“Não tenho família, sou apenas eu.”

“Apenas você? E onde você mora? Aiedo?” perguntou, provavelmente por ser a cidade mais próxima.

“Em lugar nenhum!. O que você quer? Agradecimento?”

Ele riu alto, e o olhar preocupado desapareceu. Ele pousou o braço esquerdo suavemente em torno da bela garota de longas e estranhas orelhas, e ela o olhou com um sorriso carinhoso. Acho que são mais que parceiros.

“Bem, meu nome é Chaz, e esta é Rika. Somos Hunters. Se você não tem ninguém, e mora em lugar nenhum, talvez possa vir com a gente? Quantos anos tem?”

“Tenho doze! E não preciso de ninguém sou uma Hunter também!”

Dessa vez ele não riu. Achei que riria, apesar de eu não estar brincando. Ele apenas sorriu e olhou para Rika. Acho que se comunicavam com o olhar, e se entendiam muito bem.

“Não acha que é muito jovem para ser uma Hunter?” Ela disse.

“Posso ser jovem, mas treinarei duro, e serei a mais forte Hunter de todos os tempos!”

“Estou certo que sim…” Ele disse ainda sorrindo. “Mas, por hora, vamos sentar e comer!” Ele abriu uma sacola de couro escuro, e esta estava cheia de diferentes tipos de comida. Ora, eu estava faminta. Então, sentei ao chão e, sem esperar um segundo convite, enfiei um grande pedaço de pão na boca.

“Qual o seu nome?” perguntou minutos depois.

“Alys… minha mãe me deu o nome de uma Hunter que ela acreditava ser a maior que já existiu. Ela me disse que chegou conhecê-la, inclusive, pois ela salvou todo o povo de Zema de uma espécie de maldição, que transformou todos em pedra. Minha mãe era jovem na época, recém casada, e deu-me seu nome em agradecimento.”

Aposto que lá vem o sorriso de novo… espere, há algo diferente em seus olhos… uma espécie de admiração, creio que ele também ouviu as histórias sobre Alys Brangwin, a maior de todas as Hunters.

“Bem Alys, este é o trato.” Disse após alguns segundos. “Você vem comigo, e eu te ensinarei tudo o que precisa saber para ser ‘a maior Hunter de todos os tempos’, como você disse, se você prometer dar tudo de si para ser realmente a melhor, tanto em batalha, como na vida.”

Uau, minha nossa! Eu não esperava nada desse tipo, definitivamente! Mas sinto que posso confiar nele. Sua parceira não pareceu surpresa com a proposta. Algo em meu coração diz que ele será o melhor mestre que eu poderia querer, e que eu devo aceitar… mas…

“É mesmo?”, eu disse tentando parecer não muito interessada. “E por que você faria isso? Não sabe nada sobre mim.” Ele parou por alguns segundos, suspirou longamente e olhou para o céu azul:

“É um modo de dizer obrigado, Alys…” é estranho, mas parecia que ele não estava se dirigindo à mim, mas ele olhou em meus olhos e repetiu: “É um modo de dizer obrigado, Alys.”

fanworks/fanfictions/fic-012.txt · Última modificação: 2009/01/13 11:58 (edição externa)

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