A GAZETA DE ALGOL

"O morto do necrotério Guaron ressuscitou! Que medo!"

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Ele acreditou

Autor: Rune Lai
Tradutor: Orakio Rob

Rolf traçou um arco na escuridão com a luz da espada Nei, e as trevas se foram. Liberdade. Ele caiu de joelhos, exausto, mas aliviado ao mesmo tempo. Essa havia sido a mais cansativa de todas as batalhas, mas ele estava orgulhoso de seu grupo, orgulhoso de seus amigos enquanto eles livravam-se dos efeitos provocados pelo demônio que os havia possuído. Amy reviveu, aos poucos recuperando a confiança que Dark Force havia roubado dela. Ela ofegava quando perguntou, “o que era aquilo?”

A seu lado, Hugh podia apenas dar de ombros. “O que quer que fosse, nao era como nada vivo que já tenhamos visto antes.”

“Medo, inveja, e todo o tipo de coisas maliciosas,” disse Anna. Ela tinha um olhar de desgosto enquanto virava um trimate sobre seus ferimentos. “Era tudo isso e algo mais.”

Rolf concordou carrancudo enquanto olhava para o espaço vazio onde a inócua caixa vermelha estava. O baú, que parecia tanto com um tesouro escondido, era irresistível. Sem mencionar que a caixa havia sido posta bem no meio do caminho deles. Pensando bem, ali estavam todos os indícios de uma armadilha, mas ele e os outros foram atraídos para ela, como insetos para a comida. Ele manejou a espada de modo a soltar o resto da névoa negra que havia se prendido a ela antes de embainha-la. A névoa desapareceu no ar.

“O lugar dessa coisa nao é aqui,” ele disse.

Shir parecia inclinada a concordar, mas ela mudou seu olhar de direção. “Foi isso o que Lutz quis dizer com aqueles que nos observam de fora de Algol?”

“Uma entidade, não importa o quão não-natural, não é razão suficiente para que se use o plural,” disse Hugh. Mesmo abalado pela batalha, o biólogo continou agarrando-se à sua lógica com uma tenacidade que impressionava Rolf.

Kain deu de ombros. “Ele não pode ter pronunciado mal?”

Rolf balançou a cabeça. “Não, eu acho que há algo mais nessa história. Lutz não nos enviou aqui apenas para que nos livrássemos dessa coisa.” Ele olhou para a área que estava bloqueada pela caixa. “Essa coisa estava tentando esconder algo de nós, e temos que descobrir o quê. Vejam, nós ainda não acabamos de explorar a nave; a resposta nao deve estar longe.”

O que quer que a “resposta” fosse. Nenhum deles esperava que suas batalhas os trouxessem tão longe.

Rolf apontou sua espada para uma escada à direita de onde haviam enfrentado Dark Force. “Lá em cima. Por ali.”

Ele os liderou, sentindo a confiança do grupo ser reduzida a cada passo. Eles estavam cansados, feridos, próximos a exaustão completa. Ele tinha plena confiança em seus companheiros, mas eles eram humanos, com suas limitações. Nenhum deles imaginava que o que parecia ser uma simples investigação os levaria aonde estão agora! Praticamente nao haviam mais reclamações a respeito das rigorosas batalhas. Talvez eles estivessem muito cansados para reclamar.

Lutz sugeriu que o fim estava próximo, e para o bem ou para o mal, era bom que estivesse. Rolf apenas esperava poder corresponder à fé que Lutz e seus amigos depositavam nele. Era difícil para ele acreditar que era um descendente de Alis, a antiga heroína, e ainda mais difícil era viver com a pressão que isso lhe trouxe. Mas desistir e não tentar mais nada seria inaceitável. Nei mostrou isso a ele com seu último suspiro.

Eles subiram as escadas, sentindo o fluxo de eletricidade sob seus pés. Algo nessa nave de pedra parecia controverso. Uma nave de pedra numa casca de aço. Hugh ficou um pouco para trás, e Rolf viu-se forçado a apressá-lo, mas as palavras nao passaram de seus lábios. O biólogo parece ter ouvido os pensamentos de Rolf, pois ele se apressou para unir-se novamente ao grupo.

Rolf voltou a seguir o caminho, liderando o grupo. Quando eles viraram uma curva, e o corredor deu lugar a um enorme aposento repleto de circuitos e luzes, ele pôde sentir que eles estavam próximos ao fim. Havia apenas mais uma parte da nave a ser explorada, e bloqueando o caminho estava a face de uma mulher esculpida em um muro no fim da câmara. Rolf deu o primeiro passo sobre o caminho que levava até ela. A sensação era a de caminhar para a boca de um dragão. Todos aqueles circuitos perto deles–muito perto. Os olhos da face brilharam, projetando a assustadora imagem de uma mulher de quatro braços. Ela abriu seus braços de forma que parecia querer englobar as estrelas, em uma expressão delirante de poder.

Então essa era a Mother Brain que controlava Algol. Rolf foi dominado por sua presença, intimidado pelo fantástico poder dessa brilhante aparição. Ele sentiu sua vontade derreter, não por causa de um poder imortal como Dark Force, mas por sua própria fraqueza humana. Já era demais. Isso era loucura! Isso era Mother Brain! Eles não podiam lutar contra ela. Rolf deu um passo para trás, aproximando-se de seus companheiros enquanto movia sua espada para uma posição defensiva.

Mother Brain gargalhava, e dizia, “como eu imaginava, você não pode me ferir. Sou como uma mãe protegendo sua criança. E agora, vou levar minha criança, Algol, pela mão rumo a um caminho de destruição. Parta agora, pois não há nada que você possa fazer.”

“Não,” disse Rolf.

O brilho do choque de duas cores púrpuras. Um grito que durou uma eternidade. Garras laser encontram uma espada laser, esse choque feroz quase despedaçou sua sanidade.

A Mãe Cérebro começou a rir. “Vocês são tão tolos. Se vocês me danificarem, o mundo entrará em pânico. Sem mim, o povo de Algol estará perdido. Eles se tornaram muito dependentes e acostumados ao conforto. Se eu parasse de funcionar, o povo morreria amaldiçoando seu próprio destino. Se é isso o que vocês desejam, me desativem! Se não, partam agora!”

Ela havia morrido, mas não em vão. Nunca em vão. Nei não teve medo de tentar. Sempre valente, ela aceitou seu fardo na vida, vivendo sob a companhia de caçadores que a matariam sem remorsos. Nei. Ela estava com ele agora.

Rolf levantou a espada Nei. “Não”, ele disse novamente com uma voz tranquila porém convicta. “Algol precisa ser livre.”

A face da projeção tomou um aspecto horrível, com luzes penetrantes brilhando em seus olhos. “Não terei piedade.” As luzes piscaram, e os jogaram nas trevas, onde só o que eles podiam ver era ela. “Morram!”

Mas o agente de Paseo, a agora insignificante cidade num planeta não muito distante, não sentia medo. Nas trevas ele a viu–não a visão louca e demoníaca a sua frente–mas sim Nei. A imagem dela fugia pelos cantos de seus olhos, nunca aparecendo por completo, mas estava sempre por perto, dando a ele a força para prosseguir. Ele não sabia que horrores ou prazeres os ultimos dias trariam, mas ele faria o possível para que eles chegassem.

Texto original: http://www.phantasy-star.net/fanfics/lai/believed.html

fanworks/fanfictions/fic-003.txt · Última modificação: 2009/01/13 11:58 (edição externa)

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