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Big entrevista com Rieko Kodama em revista sueca! Imperdível!

Postado por em 16/02/2011

A vida de um fã da série clássica de Algol é mesmo muito curiosa. Você passa anos querendo obter algumas informações sobre o desenvolvimento do seu Phantasy Star favorito, e de repente um amigo de fórum chega com scans de uma revista sueca que entrevistou a “mãe” do seu amado joguinho.

Pois é, criançada, o meu camarada Skymandr, figurinha fácil no fórum do excelentíssimo PS Cave, e que já havia nos presenteado com os scans do livro Phantasy Star Collection, agora pinta com essa entrevista totalmente bizarra… em sueco. Alguém aí sabe ler sueco?

O Skymandr promete trabalhar em uma tradução para o inglês, mas até lá a gente se vira como pode. Botei o PDF no Abbyy FineReader, que é um programinha de OCR (para os leigos: ele pega uma foto ou PDF e coloca o texto num arquivo DOC ou TXT). Peguei o texto e taquei no Google Translate. Como geralmente o Translate funciona melhor com o inglês, eu mandei que ele fizesse a tradução macarrônica para o inglês, e daí eu tentei entender alguma coisa e passar para o português.

Curiosamente, deu para ler a entrevista praticamente toda! Algumas partes ficam meio emboladas, mas outras são bastante claras. Tem bastante texto e não tenho tempo de traduzir, mas separei algumas partes mais interessantes. Tenham em mente que é tradução do Google “maquiada” por mim, então algumas informações podem não ser muito precisas.

O texto já abre com:

“Ela criou o sistema estelar mais amado dos RPGs, mas o tempo passou e hoje a série Phantasy Star é desenvolvida sem ela. Com vocês, a balada de Rieko Kodama.”

Fala a verdade, essa introdução abalou Bangu, não abalou não? 🙂

“Eu pedi a Yuji Naka que criasse um mecanismo gráfico tridimensional para os labirintos, e ele conseguiu! Eu ainda me lembro da primeira vez em que vi o resultado, de como parecia real a movimentação pela caverna. Aquilo teve um impacto forte sobre mim.”

Há algumas passagens um pouco nebulosas na tradução sobre Phantasy Star III, mas parece que algumas pessoas da equipe (não sei se do próprio PSIII ou dos outros PS) sentiram que o jogo ia ser um fracasso e não gostaram do rumo que a coisa estava tomando. Akinori Nishiyama, que trabalhou como tester no primeiro PS e como escritor e diretor no segundo, foi um dos que criticou o trabalho de Hirota Saeki (escritor e diretor de PSIII).

Segundo Nishiyama, o jogo de Saeki não fazia jus à ótima reputação que o segundo Phantasy Star conquistou. Dizem que o clima era horrível na SEGA, e sabe Deus como ainda rolou um “agradecimento especial” a Nishiyama nos créditos do PSIII. Será que foi ironia?

Com o fracasso de PSIII, ninguém mais parecia disposto a trabalhar em Phantasy Star, e a franquia dava sinais de morte. Mas Nishiyama brigou por um quarto título, criando uma história e chamando Kodama para trabalhar com ele. O resultado foi Phantasy Star IV, que tirou o nome da série da lama. Nota do Orakio: eu adoro PSIII. É, eu sei, doideira, né? 😛

Você é do tipo que odeia a Square? Então rasgue-se de raiva com este comentário:

“Eu tinha acabado de jogar Final Fantasy IV, e fiquei muito impressionada ao ver como os personagens eram empolgantes e cheios de vida. A história era tão boa. Eu certamente fui influenciada pelo universo da Square quando começamos a trabalhar em Phantasy Star IV.”

[SPOILER] E a morte da Alys no PS IV? Foi Akinori Nishiyama quem disse a Kodama que a personagem morreria. Ela ficou cismada na hora:

“Lembro que fiquei com um pé atrás quando li no roteiro que a Alys ia morrer. A ideia de apresentar uma personagem aos jogadores para depois matá-la me parecia estranha [nota do Orakio: a Nei de PSII agradece por você ter tido essa consideração toda com ela :)]. Mas conversamos sobre isso e notei que a ideia era brilhante. Se a morte de Alys não tivesse impacto no desenvolvimento do jogo (…) eu não teria aprovado. Mas esse é justamente o evento que força Chaz a crescer e confrontar seu destino, e se tornou um dos momentos mais importantes da história. A morte dela também fortalece os laços entre os outros personagens, especialmente entre Chaz e Rune.”

Outro comentário legal sobre o PSIV é sobre a Hunter’s Guild, a associação de caçadores. A ideia era a de trazer os jogadores para a vida de Alys e Chaz, ver como era a rotina deles. É só um breve comentário, mas é bacana 😛

Uma coisa que transparece na entrevista é que a Kodama é meio pé-frio, ou que não é muito boa para tomar decisões em sua carreira. Tanto PSI quanto PSIV foram lançados em momentos ruins da vida de seus consoles (o Master System estava praticamente morto no Japão quando recebeu PSI, e a geração do Mega Drive já tinha chegado ao fim quando PSIV aportou). Depois Kodama lançou o excelente (e subestimado) Skies of Arcadia para o DC, e o console fracassou. Ao escolher um console para receber o port, ela escolheu o GameCube, o que também não se revelou uma boa escolha.

Tempos depois, surgiu o projeto Phantasy Star Online, baseado na mitologia que ela criou, mas pelo visto ela nem foi consultada. Nishiyama, no entanto, participou da criação de PSO, e conta:

“A série nunca mais foi a mesma sem Rieko Kodama. O que estamos fazendo agora é outra coisa. Para mim, Phantasy Star são os jogos antigos, os ótimos títulos originais.”

E eu aposto que muita gente que lê o Blog de Algol vai concordar…

E Phantasy Star V, rola ou não rola? Kodama diz:

“Quem sabe, talvez na próxima vez a gente faça um jogo com foco na história outra vez. Eu adoraria se alguém na SEGA tivesse a oportunidade de trabalhar nisso, mesmo que não fosse eu.”

Portanto, carimbem seus passaportes, acendam sua tochas, escrevam cartazes com palavras de ordem e postem-se diante da sede da SEGA japonesa gritando KODAMA! KODAMA! KODAMA! 🙂

Sabe sueco? Quer ler o PDF inteiro? Ou talvez tentar a sorte no Google Translate? Então segura:

Valeu Skymandr!

10 Comments

  1. Posted 16/02/2011 at 8:59 am | Permalink

    >A vida de um fã da série clássica de Algol é mesmo muito curiosa.
    R: E muito sofrida se me permite dizer.

    >Nota do Orakio: eu adoro PSIII. É, eu sei, doideira, né?
    R: Doideira coisa nenhuma! Phantasy Star III é bom e quem não gostar que se lasque.
    🙂

    >Lembro que fiquei com um pé atrás quando li no roteiro que a Alys ia morrer.
    R: Êêêêê Kodama! A Alys não morre não! No final prepararam uma surpresa pros jogadores…:
    http://gazetadealgol.com.br/blog/?p=792
    🙂

    >A série nunca mais foi a mesma sem Rieko Kodama.
    R: Disse tudo!

    >Para mim, Phantasy Star são os jogos antigos, os ótimos títulos originais
    R: E ainda digo mais! Depois que ela saiu e a série teve essas modificações bizarras, eu me senti estuprado.
    :-O

    >Quem sabe, talvez na próxima vez a gente faça um jogo com foco na história outra vez.
    R: Chama a galera daqui da comunidade de Phantasy Star pra ver o que o nosso talento é capaz de fazer.

    >Eu adoraria se alguém na SEGA tivesse a oportunidade de trabalhar nisso, mesmo que não fosse eu.
    R: Há Kodama! Deixa de onda! Sem você a coisa não rola como deveria.

    >Valeu Skymandr!
    R: Valeu mesmo! Presentão pra galera das antigas que ainda respira.

  2. Posted 16/02/2011 at 12:55 pm | Permalink

    That was really interresting. Thanks a lot 🙂 I don’t believe that PS and FF have anything to do with each other (having some minor influence does not mean much, everyone was influenced by everything in the 16 bits era), I’m saying this because a topic talking about it was created on Fringes of Algo…but other than that, it’s an amazing find, I’ll try Google Translating the entire article now.

  3. Posted 16/02/2011 at 3:55 pm | Permalink

    I’ve seen the topic, it was quite amusing seeing you and tilinelson talk about the FF stuff 🙂

    I think you are both right and wrong at the same time. Since Kodama played FFIV and liked it so much, it’s only natural that it had some kind of influence over PSIV. On the other hand, I think this influence is on a very subjective level, so you can’t really spot many similarities between the two. It’s not like Kodama wanted to make a FFIV clone.

    I’ll give you an example. PSII story is fabulous, but it’s told in a very “economic” way. There is few dialogue, and even Nei’s death is a bit… you know, she dies and then nobody talks about it anymore until the end of the game. Final Fantasy games had a lot more drama, and maybe this is the reason why in PSIV the story seems to have a bigger impact over the characters, and there’s more attention to the relationship between the characters. I mean, in PSII Rolf basically only talks to the other party members when they enter the group 🙂

    So, maybe (just maybe) FFIV influence on PSIV was in the way of more dialogue between the characters and a bigger emphasis on drama. This certainly doesn’t make PSIV a FF rip-off: I guess it’s just the way RPGs were heading at that time. Pretty ordinary stuff, no big deal. It’s only curious because FF was “the enemy”, so it’s nice to see Kodama mention how much she liked to play it.

  4. Posted 16/02/2011 at 4:29 pm | Permalink

    Indeed, it’s not because she was working with Sega that she couldn’t play other games. I mean, I remember a topic on Fringes where Thoul posted an article on Shigeru Miyamoto, and we could clearly see a copy of Phantasy Star II on his shelf. I mean, everyone was playing everyone else games in that era. Of course she can be influenced on some basic level, like many other games could have also helped, but overall PSIV production was really a big evolution of PSII. Adding more dialog and story was not copying anything…it was really a natural evolution of RPG in that era (between 1993-1995). But anyway, I read the entire article, it was REALLY interresting!!!

  5. Posted 16/02/2011 at 4:50 pm | Permalink

    “I mean, everyone was playing everyone else games in that era.”

    Yep. That’s basically what I mean.

    And I’ve also loved the interview, I can’t thank Skymandr enough for the scans. Now, if only anybody could interview Yoshibon about PSII…

  6. Posted 16/02/2011 at 9:10 pm | Permalink

    Sensacional Post, parabéns! Vamos lá Gagá e Y0Z, rumo ao PS V!!

  7. Posted 17/02/2011 at 1:22 pm | Permalink

    Caramba, que matéria legal, vim visitar o Gazeta “manualmente” e que surpresa.

    “Nota do Orakio: eu adoro PSIII. É, eu sei, doideira, né?”

    Eu que só joguei PSI e PSIII por inteiros (por favor, não joguem pedras, rs), PSII não conseguia locar/comprar por aqui na época e o IV eu já estava de PC e tive de vender o Mega Drive. Tanto que recentemente comprei os dois cartuchos que faltam jogar e estou guardando para alguma ocasião especial (como, quem sabe, durante o carnaval próximo).

    Meu ponto é: se eu adoro PSIII (inclusive jogando dois playthrus seguidos dele na época do lançamento, o que não costumo fazer) vou acabar infartando ao jogar o IV e/ou o II? Pelo que Gagá fala do II (e pelo jeito, até Miyamoto :D), às vezes me pergunto porque estou esperando tanto pra começar 🙂

  8. Posted 17/02/2011 at 1:29 pm | Permalink

    Vai na fé, mr. Fraga! PSII é um delírio de bom!

    É mais naquela linha de poucos diálogos, típica de RPGs antigos, mas a história é espetacular. E a dificuldade… jogue sem mapas, é parte da experiência!

    Se o tempo estiver curto, então vá de PSIV que é bem mais fácil. Mas como a história do PSIV resgata muita coisa do PSII, eu recomendo o II primeiro.

  9. Posted 22/02/2011 at 7:33 am | Permalink

    Você também podia haver usado o ABBYY Screenshot Reader pra reconhecer textos dos livros escaneados direitamente da janela do seu PC.
    Inclusive com os Google livros fica bem (que sâo imposíveis de copiar).
    A coisa boa é que o Screenshot Reader é grátis para baixar http://abbyy.com.br/gratis

  10. orakio
    Posted 22/02/2011 at 8:23 am | Permalink

    Caramba, isso nunca tinha me ocorrido… vou experimentar.

    E não sabia desse programinha gratuito, baixando agora mesmo, thanks!

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